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Corte de juros começa em março, mas ritmo dependerá dos dados, dizem economistas (Fotos: Freepik)
A ata do Copom sinaliza o início do ciclo de corte de juros em março, dependendo da convergência inflacionária e do cenário fiscal. Analistas projetam reduções entre 25 e 50 pontos-base, monitorando a resiliência do setor de serviços e a dinâmica dos salários.
O Banco Central consolidou a percepção de que deve iniciar o ciclo de corte de juros na reunião de março, conforme indica a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada nesta terça-feira (3). O documento adota um tom de cautela, sinalizando que o ritmo e a magnitude das quedas serão ditados pela evolução dos indicadores econômicos, especialmente a resiliência do mercado de trabalho e o equilíbrio fiscal.
Fatores de risco e inflação de serviços
A autoridade monetária expressou preocupação com o mercado de trabalho aquecido, que mantém a renda real média em expansão acima da produtividade. Essa dinâmica preocupa o Banco Central por seu potencial de pressionar o setor de serviços por meio do consumo, dificultando a convergência da inflação para a meta de 3%. Segundo o economista-chefe da Suno Research, Gustavo Sung, essa variável é o principal fator de monitoramento.
"A preocupação ainda está nos preços de serviços, principalmente aqueles intensivos em mão de obra, muito por conta do mercado de trabalho que segue bastante aquecido aqui no Brasil e este é um ponto que foi sinalizado pelo Banco Central como fator de atenção", explica Sung.
Projeções do mercado financeiro
Analistas do mercado financeiro consideraram o documento eficaz em ancorar expectativas. Segundo Caio Megale, economista-chefe da XP, o documento reforça a orientação de que um ciclo de flexibilização cauteloso terá início em março. De acordo com informações do portal InfoMoney, as projeções das casas de análise variam sobre a intensidade inicial:
Redução de 25 pontos-base: Leonardo Costa (ASA), Julio Barros (Daycoval) e Rodrigo Marques (Nest Asset Management) estimam um início mais gradual.
Redução de 50 pontos-base: XP Investimentos, Banco Inter e Warren Investimentos projetam um corte mais agressivo em março.
Rafaela Vitória, economista-chefe do Inter, estima a Selic em 12,50% ao fim de 2026. Já a Warren Investimentos destaca que o uso da expressão "serenidade" no documento serve para conter o entusiasmo excessivo do mercado. A instituição projeta que o ciclo comece com 50 pontos-base, mas alerta que o orçamento total de cortes dependerá da evolução do cenário, podendo ser menor do que o esperado caso as condições se tornem adversas.
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