O setor industrial do Brasil avançou 0,6% em 2025, impulsionado pela indústria extrativa (+4,9%). Apesar do terceiro ano seguido de crescimento, o ritmo desacelerou no segundo semestre devido à política monetária restritiva, encerrando dezembro com queda disseminada de 1,2% entre as atividades pesquisadas. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal, divulgada nesta terça-feira (3) pelo IBGE. As grandes categorias econômicas que mostraram maior dinamismo foram os segmentos de bens de consumo duráveis e de bens intermediários.

A produção industrial brasileira encerrou o ano de 2025 com um crescimento acumulado de 0,6%, marcando o terceiro ano consecutivo de expansão. Segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada nesta terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o setor agora se encontra 0,6% acima do patamar pré-pandemia de fevereiro de 2020, embora ainda esteja 16,3% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011.

Impacto da política monetária e perda de ritmo

Apesar do resultado anual positivo, a indústria enfrentou uma desaceleração no segundo semestre. André Macedo, gerente da PIM, explica que o setor passou de uma expansão de 1,2% nos primeiros seis meses para uma variação nula na segunda metade do ano.

"Ao longo de 2025, verificou-se uma clara perda de ritmo, com o setor industrial passando de uma expansão de 1,2% nos seis primeiros meses para uma variação nula no segundo semestre. Esse menor dinamismo guarda uma relação importante com a política monetária mais restritiva, especialmente marcada pelo aumento na taxa de juros, o que impacta diretamente das decisões de investimento por parte das empresas e de consumo por parte das famílias", avalia Macedo.

Destaques setoriais e categorias econômicas

O crescimento de 0,6% em 2025 foi impulsionado por resultados positivos em 15 dos 25 ramos pesquisados. O setor extrativo, puxado pelo petróleo, cresceu 4,9% e foi o principal pilar de sustentação, enquanto a indústria de transformação registrou perda de 0,2% no ano.

  • Indústrias extrativas: +4,9%
  • Produtos alimentícios: +1,5%
  • Bens de consumo duráveis: +2,5%
  • Bens intermediários: +1,5%
  • Por outro lado, as maiores influências negativas vieram de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-5,3%), além de bens de capital (-1,5%) e bens de consumo semi e não duráveis (-1,7%).

Recuo disseminado em dezembro

Em dezembro de 2025, a produção industrial recuou 1,2% na comparação com novembro, a queda mais intensa desde julho de 2024. O movimento foi disseminado, atingindo 17 das 25 atividades pesquisadas, o maior espalhamento de taxas negativas desde setembro de 2022.

O setor de veículos automotores, reboques e carrocerias exerceu a maior pressão negativa no mês, com queda de 8,7%. "A queda de 8,7% é a maior para essa atividade desde maio de 2024 (-11,6%). Há um movimento de perda generalizada dentro desta atividade, com queda em automóveis, caminhões, autopeças", afirma o gerente da pesquisa.

Macedo acrescenta que o resultado de dezembro foi influenciado por paralisações e férias coletivas em setores como produtos químicos (-6,2%), metalurgia (-5,4%) e equipamentos de informática. O IBGE agendou a próxima divulgação dos dados, referentes a janeiro de 2026, para o dia 6 de março.

 

 

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