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Daniela Reinehr (PL), deputada federal reeleita por SC. (Fotos: Reprodução)
Pagamento de retroativos à ex-presidente reacende debate sobre gastos públicos, impostos e a falta de resultados para o cidadão
R$ 6,6 milhões em retroativos e R$ 17.562,80 por mês para Dilma Rousseff. Para o brasileiro que paga essa conta, filas na saúde, estradas precárias e impostos que pesam no orçamento. O contraste expõe a distância entre um governante que ampara seus aliados e a resposta que o cidadão encontra quando precisa de serviços ou obras, há tanto tempo esperados.
A reparação à ex-presidente foi formalizada em cumprimento a uma decisão judicial, prontamente acatada pelo companheiro Lula. Isso não impede a cobrança política nem diminui a indignação de quem trabalha a vida inteira e continua sem acesso digno aos serviços que ajuda a financiar. O orçamento público tem origem: sai do esforço da sociedade que trabalha e produz.
Enquanto essa reparação milionária é formalizada, áreas essenciais convivem com restrições. No detalhamento orçamentário divulgado em setembro, a Educação permanecia com R$ 1,325 bilhão sob contenção, e a Saúde, com R$ 959,8 milhões. Juntas, aproximadamente R$ 2,285 bilhões indisponíveis para execução naquele momento. O governo que se apresenta como defensor dos mais necessitados precisa responder pelo que falta justamente nos serviços dos quais eles mais dependem.
Para quem espera uma cirurgia, o problema não se resume a uma rubrica do Orçamento. É dor, afastamento do trabalho e medo de que o tratamento chegue tarde. Para uma família que depende da escola pública, a falta de estrutura compromete a aprendizagem e reduz oportunidades. Para quem utiliza uma estrada esburacada, são despesas extraordinárias constantes, risco de acidente e dificuldade para transportar a produção e trafegar em segurança.
O contribuinte já faz sua parte. Segundo estimativa do Tesouro Nacional, a carga tributária de União, estados e municípios alcançou 32,40% do Produto Interno Bruto em 2025. Quase um terço da riqueza produzida no país correspondeu a tributos. Como justificar tamanha desfaçatez diante de tantas necessidades desatendidas? Diante de uma infraestrutura precária que não corresponde aos esforços da força produtiva da sociedade?
O discurso do “pai dos pobres” perde força quando confrontado com a vida de quem precisa escolher qual conta pagar. Quando não consegue, espera. Ainda mais maléfica é o constante sentimento de que essa desigualdade também está na aplicação da lei, na inversão de valores e no medo crescente de um país onde a segurança pública está cada dia mais fragilizada.
E o problema se agrava quando o governo aumenta o peso sobre a atividade produtiva. O próprio Tesouro aponta o aumento do IOF e a reoneração da folha entre os fatores que elevaram a carga federal em 2025. São custos que alcançam o crédito e o emprego, justamente os instrumentos de que empresas e trabalhadores precisam para avançar.
E esse cenário merece muita atenção. Quem assume riscos também cansa. Uma empresa pode continuar aberta e desistir de crescer. Um produtor pode seguir trabalhando e abandonar um investimento. Um profissional pode procurar em outro país a perspectiva que deixou de enxergar aqui.
Quando isso acontece, a perda chega à população: menos possibilidades de contratação, de aumento da renda e de desenvolvimento. O jovem que procura o primeiro emprego e a família que precisa melhorar de vida acabam atingidos por decisões tomadas muito longe de suas casas.
Em Santa Catarina, sabemos quanto custa produzir, manter empregos e construir um patrimônio. Quem enfrenta essa rotina merece respeito. Cabe ao governo federal administrar com responsabilidade, enfrentar desperdícios e assegurar condições para que o trabalho se transforme em prosperidade.
Minha cobrança é por um governo federal que reconheça a urgência do cidadão comum e de quem enfrenta os boletos com tamanha frustração. A segurança de quem percorre nossas rodovias também importa. O futuro de uma criança na escola pública também deve ser prioridade.
O Brasil que paga a conta está cansado de ouvir que precisa contribuir mais e aguardar ainda mais. O povo tem direito de cobrar cada real e de exigir resultados. Afinal, o dinheiro administrado em Brasília faz falta na mesa, na saúde, na segurança, na manutenção do setor produtivo e na vida de quem o entrega ao governo uma grande fatia do seu trabalho e não vê a malfadada fila de prioridades avançar.
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